Programação Cultural

A programação cultural da ANPEd Sul está estritamente ligada com a temática do evento: educação, democracia e justiça social. Para organizar a programação, levamos em conta a compreensão de que arte e cultura não podem ser consideradas mero entretenimento em meio a um evento que debate problemáticas sérias e urgentes na área da educação. Acreditamos que pensar a partir/com arte e cultura também é pesquisar em educação. O Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS, que abriga a ANPEd Sul, foi um dos programas de educação pioneiros no Brasil a oferecer linhas de pesquisa envolvidas diretamente em arte e educação. Nesses últimos 40 anos, o PPGEDU Ufrgs tem abrigado e impulsionado inúmeras pesquisas em educação envolvendo artes visuais, música, teatro, performance, dança, cinema, literatura, entre outras possibilidades. Desse modo, a curadoria da programação cultural procurou evidenciar as produções artísticas de escolas públicas tanto na educação básica quanto na graduação e pós-graduação, além de evidenciar a relação entre pesquisa e criação artística. Na medida do possível, procuramos contemplar na programação as diferentes áreas artísticas: música, cinema, dança, teatro, artes visuais e seus entretecimentos.

PROGRAMAÇÃO:

Abertura: 23 de julho de 2018, 14 horas

Orquestra Villa-Lobos – Regente e coordenação: Cecília Rheingantz Silveira, com participação de Simone Rasslan (doutoranda do PPGEDU/UFRGS).

Projeto de mais de 25 anos, surgido na Escola Municipal Villa Lobos, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, RS. O objetivo do projeto é proporcionar a crianças e jovens da Lomba do Pinheiro, o acesso ao conhecimento musical e a vivências artísticas e socializadoras. A iniciativa é mantida pela Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre e, em parceria com o Centro de Promoção da Criança e do Adolescente São Francisco de Assis, garante mais de 600 atendimentos gratuitos por semana em nove locais da comunidade nas oficinas de música de canto-coral, cavaquinho, contrabaixo elétrico, expressão corporal, flauta doce, gaita ponto, musicalização infantil, percussão, piano, prática de orquestra, teatro, teoria e percepção, viola, violão, violino e violoncelo.

A Orquestra Villa-Lobos já recebeu vários prêmios e ultrapassou a marca de mil concertos no Brasil e na Argentina e Uruguai para público superior a 280 mil pessoas.

Orquestra Villa Lobos – Trecho de documentário – https://www.youtube.com/watch?time_continue=26&v=4zgf2N5yzhA

Dias 24 e 25 de julho de 2018, das 12h30 às 14hs – A gente não quer só comida

Espetáculos curtos que serão apresentados na área pública do Campus Central da UFRGS, na frente da Faculdade de Educação (ou, em caso de chuva, em espaço a ser divulgado).

24 de julho

12h e 30min – Eu não sou Macaco, com a ex-aluna do PPGEDU Dedy Ricardo. A intervenção urbana EU NÃO SOU MACACO! é um trabalho solo da  atriz Dedy Ricardo e nasce do desejo da artista em compartilhar sua indignação,  amparada por seu trabalho como atriz. A performance, de caráter interventivo, trása tona questões ligadas a identidade da artista e deflagra uma possibilidade de compreensão sobre os roubos e omissões culturais no histórico negro no Brasil. O trabalho tem a orientação cênica da Diretora Júlia Ludwig e trilha sonora executada ao vivo pelo músico Ricardo Pavão.

Créditos das fotos: Thiago Lazeri

25 de julho

12h e 30min. LAMA – performance de dança contemporânea com Maria Falkemback, ex-aluna de doutorado do PPGEDU. Como falar sobre a dificuldade ou a incapacidade do diálogo, o preconceito e a discriminação das pessoas por questões de gênero, cor, orientação sexual, étnicas e outras, as várias formas de violência que sofremos no nosso dia-a-dia?  LAMA – Uma performance traz para a cena uma discussão poética e política que é ao mesmo tempo o retrato do nosso tempo e do nosso país. Maria Falkembach e Daniel Furtado transitam entre textos, músicas e movimentos para realizar um espetáculo que vai do épico e do narrativo ao simbólico.

13h e 30 min – Show Queijo com Goiabada, com Alexandre Missel e Falcão – poesia e música.  Se Alexandre Missel é o queijo e Antônio Carlos Falcão é a goiabada, ou vice-versa, só provando para saber. Sabores diferentes que ajuntados resultam num lindo cardápio musical. Composições autorais, um violão borbulhante e a presença cênica esfomeante de um dos nossos grandes atores. O espetáculo Queijo com Goiabada, desenvolvido pelo cantor, compositor, violonista e psicólogo gaúcho Alexandre Missel a partir do show construído em parceria com o cantor, ator e compositor Antônio Carlos Falcão, desde 2011, o disco e o show trazem uma mistura de ritmos como sambas, baladas, jazz e marchinhas. Adocicado e levemente amargo, feito alegria e nostalgia.

Dia 24 de julho de 2018 –  20 hs – Sarau Elétrico

O tradicional Sarau Elétrico da cidade no Bar Ocidente (Rua João Telles esquina com a Osvaldo Aranha), com temática sobre Educação, com a presença de algum ou alguns convidados da área da educação. Simone Rasslan, doutoranda do PPGEDU, estará presente para a “canja” musical.

Dia 25 de julho – 19h30 – Campus Central UFRGS

As Batucas – Orquestra Feminina de Bateria e Percussão

Contribuir, somar, participar, transformar, aprender, crescer, empreender, brincar. Todos esses verbos são conjugados pelas integrantes de As Batucas – Orquestra Feminina de Bateria e Percussão, um dos primeiros grupos de estudos de percussão exclusivamente para mulheres que surgiu em Porto Alegre (RS). Participando ativamente da efervescente cena de ritmos e batucada da capital gaúcha, As Batucas surgiram da cabeça de uma mulher à frente do seu tempo, a baterista Biba Meira, uma reconhecida musicista que galgou seu espaço num cenário dominado por homens e que hoje, em grande parte por seu esforço, começa a se transformar.

Aqui diferentes idades, perfis, profissões e interesses se unem por um prazer em comum: o aprendizado dos mais diversos ritmos. Samba, marchinhas de carnaval, ijexá, samba-reggae e coco integram o repertório da Orquestra.

As Batucas é um projeto da Batuca Escola de Bateria e Percussão, projeto criado por Biba Meira, baterista pioneira no Brasil e uma das instrumentistas mais reconhecidas no país atualmente.

Mais informações:

https://www.instagram.com/asbatucas/

https://www.facebook.com/asbatucas/

Dias 23, 24, 25 e 26 de julho de 2018 – Mostra de cinema “Educação, Democracia e Justiça Social” na Sala Redenção (Campus Central da UFRGS) – às 16hs e às 19hs

Durante a realização da XII ANPED-Sul (reunião de estudantes, docentes e pesquisadores em educação, da Região Sul), a Sala Redenção terá uma semana dedicada a filmes diretamente relacionados à temática do evento: “Educação, Democracia e Justiça Social”. Trata-se de filmes que alimentam discussões urgentes, em nosso País, particularmente no que se refere à formação de crianças, jovens e adultos, bem como às políticas públicas hoje em vigência.

Documentários e obras de ficção convidam o espectador a pensar, por exemplo, fatos recentes como as ocupações de escolas do Ensino Médio no Brasil. A resistência será o tema de uma das sessões, tanto pela perspectiva racial, quanto pela perspectiva dos estudantes de escola pública que produzem seus próprios filmes, indo além do lugar comum do ambiente escolar.

Ao mesmo tempo, na seleção estão filmes que trazem um pouco da história política da América Latina e a memória de anos de repressão, em que nossas democracias foram expostas a sérios riscos.

Não ficaram de fora filmes dedicados a mobilizar o debate sobre as diferentes formas de racismo, de preconceito e de restrições à liberdade – como às referentes a sexualidade e gênero, à crise relativa ao desemprego e ao direito a um trabalho digno, ao cotidiano de pessoas negras, em tantos países, ainda hoje.

Todas essas questões, certamente, têm muito a dizer a quem se dedica à luta por uma educação democrática e socialmente justa.

Mostra Educação, Democracia e Justiça Social
ANPED Sul
23 a 27 de julho

23 de julho

16h
A Escola de Babel (ACERVO CINEMATECA FRANCESA)
Direção: Julie Bertuccelli | Documentário | 2013 | 94 min |

19h
Secundas
Direção: Cacá Nazario | Documentário | 2017 | 16 min |
+
Últimas Conversas (ACERVO SESC)
Direção: Eduardo Coutinho | Documentário | 2015 | 87 min |

Debatedores:
Luciana Tubello Caldas, mestre em Educação pela UFRGS e idealizadora do “Projeto Cinema Popular”.
Fernando Seffner, doutor em Educação, professor e pesquisador do PPGEDU.

24 de julho

16h
Branco Sai, Preto Fica (ACERVO SESC)
Direção: Adirley Queirós | Ficção | 2014 | 93 min |

19h
Feijoada Apimentada (Cinema Popular)
Direção: Júlia Ozorio; Lucas Motzkus; Pâmela Guedes; Rafael Pereira | Ficção | 2017 | 19 min |
+
Alvorada Z (Clube das 5)
Direção: Júlia Lima e Eliel Franco | Ficção | 2016 | 80 min |

Debatedores:
Luciana Tubello Caldas, mestre em Educação pela UFRGS e idealizadora do “Projeto Cinema Popular”.
André Bozzetti, professor de Ensino Médio e idealizador do Projeto “Clube das 5”, em Alvorada (RS)

25 de julho

16h
Nostalgia da Luz (ACERVO SESC)
Direção: Patricio Guzmán | Documentário | 2010 | 90 min |

19h
Diário de Uma Busca (ACERVO SESC)
Direção: Flavia Castro | Documentário | 2010 | 108 min |

26 de julho

16h
Eu, Daniel Blake (ACERVO SESC)
Direção: Ken Loach | Ficção | 2016 | 97 min |

19h
Trabalhar Cansa (ACERVO SESC)
Direção: Juliana Rojas, Marcos Dutra | Ficção | 2011 | 99 min |

27 de julho

16h
O sonho de Wadjda (ACERVO SESC)
Direção: HaifaaAl-Mansour | Ficção | 2012 | 98 min |

19h
“N” de Vanessa (ACERVO SESC)
Direção: Maria Carmencita | Documentário | 2015 | 14 min |
+
O Céu Sobre os Ombros (ACERVO SESC)
Direção: Sérgio Borges | Documentário | 2011 | 72 min |

Dia 26 de julho de 2018 – Encerramento (após a última conferência)

Grupo UPA ! – Grupo de Percussão Corporal

O UPA! é um grupo musical que tem a voz como principal instrumento. Fundado em 2009, é formado por 23 integrantes e tem a concepção artística e regência de Federico Trindade. O repertório do grupo transita entre a música popular brasileira, latino-americana e world music, por meio de arranjos vocais, percussão corporal e improvisos. O grupo UPA! participa ativamente da cena musical de Porto Alegre, sendo um dos principais nomes da música coral e vocal no sul do país. Obteve o prêmio de Melhor Grupo no Concurso Ameride, em São Lourenço/MG, em 2012; prêmios de 1º lugar na categoria Coro Misto, 2º lugar na categoria Coro de Câmara e 2º lugar na categoria Coro Sacro e Acadêmico, também no concurso Ameride, em 2012. Também conquistou o prêmio de 3º lugar na classificação geral do Concurso AmericaCantat, em La Plata (Argentina), em 2013. Foi selecionado para o “64º Certamen Internacional de Habaneras y Polifonía”, em Torrevieja, Espanha, que acontecerá em julho deste ano.

Federico Trindade é músico, graduado pela UFRGS, na cátedra de regência coral, e mestre em “Music, Music Education, Rhythmic Vocal Leadership” pela Royal Academyof Music ofDenmark (RAMA). Trabalha, há 13 anos, como regente, professor, percussionista, compositor e arranjador. Também ministra oficinas de música coral e de percussão corporal, cursos de improviso em grupo e de desenvolvimento de liderança musical. É regente e fundador do grupo UPA! e regente assistente e percussionista, com o maestro Pablo Trindade – que não por acaso é seu pai – , no grupo Expresso 25, desde 2005. Atualmente, é o único representante do RAMA, na América Latina, com a formação prática mencionada.

De 23 de julho a 03 de agosto de 2018

 Exposição Coletiva O que pode um corpo

Artistas: Diane Sbardelotto (Mestranda PPGEdu); Helena Alibio (Aluna egressa de Licenciatura e Bacharelado em Artes Visuais); Rafael Souza (Aluno de Licenciatura em Artes Visuais); Gustavo Souza (Aluno egresso de Licenciatura e Bacharelado em Artes Visuais); João Alberto Rodrigues (Mestrando PPGEdu).

 Local de realização: Do 3º ao 6º andar da Faculdade de Educação da UFRGS – Porto Alegre/RS.

 A partir da formulação do filósofo Baruch Spinoza “o que pode o corpo”, os trabalhos de Diane Sbardelotto, Helena Alibio, Gustavo Souza, João Alberto Rodrigues e Rafael Souza compõem-se, a partir obras de poéticas individuais, em um só corpo. O projeto expositivo traz processos em aberto de suas pesquisas plásticas transversais às práticas institucionais em educação que acompanham a formação artística dos cinco.

Visualidades de um corpo-obra em permanente processo, composto de superfícies moldáveis à criação de corpos de tecidos (Diane), peles de contato expostas, esticadas, flácidas, (João), órgãos internos (Helena) e externos em estruturação e explosão de estruturas (Gustavo), questões táteis e espirituais em elementos como a água que vaza da tela ou figuras religiosas (Rafael), trazem materiais cotidianos tensionados em suas deformidades, contrastes e delimitações que se interligam pelo viés do corpo ao espaço da Faculdade de Educação. A proposição, como continuidade de uma exposição já realizadaé, agora, inserir-se num espaço não convencional de arte, onde escadarias, janelas, elevador, lugares do espaço acadêmico onde transitam pessoas para atividades de estudos, interrompam fluxos automatizados e despertem fruições inesperadas e o uso dos corpos daqueles que passam, em intervenções que os tirem da posição de meros transeuntes ou espectadores, propondo-se interações através da possibilidade de tocar, escrever, mover algumas das obras além das muitas visualidades possíveis de serem observadas dos pontos de visão movimentados no subir e descer de andares, entrar e sair do prédio.

Como escreve Paola Zordan sobre a primeira proposta da mostra ” Todos, em suas diferentes poéticas, abordam o fantástico, o desmantelamento das identidades culturais e o exprimir infinito dos corpos, colocando em choque aquilo que submete os corpos à impossibilidade de se expressarem. Apesar daquilo que pesa e impede o corpo de ser livre para simplesmente criar, um corpo pode apresentar uma diversidade de resultados, formas substanciais e consistências poéticas diversificadas em um só projeto. Permeado por atividades acadêmicas na Universidade, Trabalhos de Conclusão de Curso em Artes Visuais e Mestrados em Educação, esse projeto de dez braços nos propulsiona a pensar o quanto um corpo pode.”

 A primeira edição da exposição foi realizada em março de 2018, na Casa de Cultura Mário Quintana a partir de seleção no 5º Prêmio IEAVI, financiada pelo Pró-Cultura RS Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, com a participação da artista Aline Daka. Na mostra atual, temos a participação de Helena Alibio e os trabalhos diferem tanto na relação com um novo espaço e também são apresentados alguns trabalhos inéditos e desdobramentos das séries anteriores.